quarta-feira, 9 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011



Com o tema "Fraternidade e Vida no Planeta" e o lema "A criação geme em dores de parto", a CNBB "propõe que todas as pessoas de boa vontade olhem para a natureza e percebam como as mãos humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento global e as mudanças climáticas, com sérias ameças para a vida em geral, e a vida humana em especial, sobretudo a dos mais pobres e vulneráveis".

Nós, franciscanos, somos chamados, mais intensamente ainda, a resgatarmos em nosso carisma o cuidado da criação como um dos pilares de nossa consagração. Convidados somos a dar uma contribuição especial, através de nossa espiritualidade, à reflexão quaresmal. Trancrevemos um breve texto do site franciscanos.org.br, que nos ajuda a pensarmos um pouco no nosso compromisso de seguidores de Francisco de Assis.






SÃO FRANCISCO E A CRIAÇÃO

São Francisco é hoje um modelo para os que buscam uma relação mais qualitativa em relação às criaturas, pois cresce a consciência de que há relações que as degradam, acarretando também a degradação do ser humano. Existe uma interrelação entre o ser humano e as criaturas, como soube expressar São Paulo:

"De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; pois a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer; mas por dependência daquele que a sujeitou. Também a própria criação espera ser liberta da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a glória dos filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto" (Rm 8,19-22).

Por atitudes de arrogância e autosuficiência dos homens exploraram exaustivamente a natureza e a destruíram, depredaram, aniquilaram, extinguiram espécies e poluíram o ar e as águas. Assim, não foram respeitosos ao Criador que ao ser humano reservou a função de cuidar do seu jardim e de todas as criaturas.(1)'" Nesse sentido, é necessário que se desenvolvam novas atitudes para com a criação que se constitui em um dom de nosso Deus Criador.

Em relação à posse, esta relação é também muito perigosa, pois pela posse, o detentor de poder desqualifica o significado ou identidade dos seres em geral, entendendo-os como meros objetos para servir à intenção ou à necessidade de quem os possui. São Francisco soube contemplar e valorizar as coisas pelo que eram e pelo valor mais profundo que apresentavam como criaturas de Deus. (2)

O uso das criaturas para o nosso sustento e sobrevivência é imprescindível e se o homem foi colocado como o zelador das coisas, de outro, também é verdade que tudo lhe ficou à disposição. O problema está no uso indiscrimínado, na gastança desmedida, no consumismo desenfreado, muitas vezes de coisas supérfluas. É necessário resgatar a sobriedade no consumo dos bens necessários à dinâmica da vida e evitar desperdícios. São Francisco soube cultivar esta sobriedade no uso das criaturas, como podemos ver no fato de mandar o lenhador cortar apenas os galhos secos das árvores para que continuassem produztndo. (3)

A transformação está ligada ao trabalho, à atividade mediante a qual os seres humanos operam transformações de materiais ou de seres em outras realidades segundo sua intenção e necessidade. Hoje vemos que as transformações muitas vezes somente vão atender à necessidade de se manter ativa a roda do consumismo, com a produção do supérfluo. No entanto, esta atividade deve visar à vida e à sua justa manutenção.

Resgatar São Francisco neste contexto de nossas relações com as criaturas da natureza significa valorizar suas atitudes. Primeiramente, a pobreza, que neste santo significou a não-posse, reverteu-se em redenção para as criaturas, e lhe possibilitou pelo olhar contemplativo alcançar o que eram realmente, a ponto de lhes chamar de irmãs e irmãos. A razão é simples, em última análise este olhar purificado de poder e lucro, revela que as criaturas são dom de Deus e também portam sinais do Criador.

Por isso, São Francisco purificado interiormente pela ação do Espírito que o conduziu a renúncias, como posse e dominação, ao contemplar a natureza, nela somente via reflexos da imagem de Deus, de sua bondade e beleza. Assim, as criaturas não se constituem em obstáculos para se encontrar Deus e amá-lo. (4)

Assim, a contemplação deste santo não era pautada simplesmente pelo fator racional, mas se deixava levar pelos seus sentimentos, por sua sensibilidade, até o ponto de realmente amar as criaturas, afinal, havia feito a descoberta de que elas eram também suas irmãs. Em consequência, nele brotou um respeito impressionante por todos os seres criados e soube viver de modo perfeitamente integrado a este universo, numa grande fraternidade com todo o universo criado por Deus. São Francisco, disse um de seus biógrafos, descobriu os segredos do coração das criaturas, às quais chamava de irmãs, porque já parecia gozar a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. (5)

Que a oração em que São Francisco louva a Deus pelas criaturas, nos inspire novas atitudes e nos ajude a ser transformados pelo Espírito de Deus de modo a resgatarmos atitudes de quem cultiva e cuida do seu jardim, esta obra maravilhosa, que hoje requer socorro dos autênticos filhos de Deus, e de todos aqueles que empreendem ações sinceras e despojadas em prol do planeta.

1 - Cf. Celso Márcio Teixeira. Visão franciscana das criaturas. In Perspectivas para uma nova Teologia da Criação, p. 274
2 - Cf. Ibidem, p. 275
3 - Cf. Ibidem
4 - Cf. Ibidem, p. 276
5 - Cf. Ibidem, p. 277-278

São Francisco e a Quaresma

Iniciando este tempo forte de conversão, convidamos todos a buscarem em Francisco de Assis inspiração para um processo de profunda conversão. Extraímos de uma biografia do Santo um relato de como ele realizava sua quaresma. Boa leitura para todos!




Como S. Francisco fez uma Quaresma em uma ilha do lago de Perusa,

onde jejuou quarenta dias e quarenta noites e nada comeu além de meio pão.



I Fioretti de São Francisco de Assis. Capitulo 07.





Por ter sido o verídico servo de Cristo, monsior São Francisco, em certas coisas, quase um outro Cristo dado ao mundo para a salvação dos homens, Deus Pai o quis fazer em muitas ações conforme e semelhante a seu filho Jesus Cristo; como no-lo demonstrou no venerável colégio dos doze companheiros, e no admirável mistério dos sagrados estigmas e no prolongado jejum da santa Quaresma, que fez deste modo.

Indo por uma feita S. Francisco, em dia de carnaval, ao lago de Perusa, à casa de um seu devoto, onde passou a noite, foi inspirado por Deus para observar aquela Quaresma em uma ilha do dito lago.

Pelo que S. Francisco pediu àquele devoto, pelo amor de Cristo, o levasse em sua barquinha a uma ilha do lago, onde não habitasse ninguém, e isto fizesse na noite de Quarta-feira de Cinzas sem que nenhuma pessoa o percebesse; e ele, pelo amor da grande devoção que tinha a S. Francisco, solicitamente atendeu-lhe ao pedi-lo e o transportou à dita ilha: e S. Francisco só levou consigo dois pãezinhos.

E, chegando à ilha e o amigo partindo para voltar a casa, S. Francisco lhe rogou por favor que não revelasse a quem quer que fosse a sua permanência na ilha e só o fosse procurar na Quinta-feira Santa; e assim o outro se foi. E S. Francisco ficou sozinho: e ali não havendo habitação em que ficasse, entrou num bosque muito copado, no qual muitos espinheiros e arbustos se reuniam a modo de uma cabana ou de uma cova, e naquele lugar se pôs em oração e a contemplar as coisas celestiais.

E ali passou toda a Quaresma sem comer nem beber, além da metade de um daqueles pãezinhos, conforme o que encontrou o seu devoto na Quinta-feira Santa, quando o foi procurar: o qual achou dois pãezinhos, um inteiro e outro pela metade.

E a outra metade acredita-se S. Francisco ter comido em reverência ao jejum do Cristo bendito, que jejuou quarenta dias e quarenta noites sem tomar nenhum alimento material.

E assim, com aquele meio pão, expulsou de si o demônio da vanglória e, a exemplo de Cristo, jejuou quarenta dias e quarenta noites. E depois, naquele lugar, onde S. Francisco fizera tão maravilhosa abstinência, realizou Deus muitos milagres pelos méritos dele; pela qual coisa começaram os homens a edificar casas e habitá-las; e em pouco tempo construiu-se um bom e grande castelo e houve um convento de frades, o qual se chama o convento da Ilha; e ainda os homens e mulheres daquela aldeia têm grande reverência por aquele lugar, onde S. Francisco passou a dita Quaresma.

Em louvor de Cristo. Amém.



I Fioretti de São Francisco de Assis. Capitulo 07. Fontes Franciscanas e Clarianas. Editora Vozes. 2004. Pg. 1500-1501.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Novo Postulante é acolhido em nossa Fraternidade


O jovem Weisller Jefferson dos Santos, natural de Visconde do Rio Branco, foi admitido ao Postulantado de nossa  Fraternidade no dia 03 de fevereiro de 2011.
Em celebração que comemorou o Primeiro Ano de nossa Fraternidade ele foi acolhido pelos frades e pela comunidade paroquial que lotou a Igreja Matriz de Rosário da Limeira.
Que Deus abençoe a caminhada de Weisller. Seja bem-vindo!

Nossa Fraternidade assume nova Paróquia

A pedido de nosso bispo, Dom Dario Campos, nossa fraternidade assumiu a administração paroquial da Paróquia Santo Antônio, em Belisário-MG.
Belisário é distrito do município de Muriaé e conta com oito comunidades: Santa Catarina, Nossa Senhora de Fátima, São Domingos, São Jerônimo, São Pedro, São Tiago, São Tomé e Santa Luzia.
A Matriz de Santo Antônio, muito bem conservada, embeleza a pequena localidade que é margeada pela Serra do Brigadeiro, tendo ao fundo o Pico do Itajuru, um dos pontos mais altos da Serra.
Região de Mata Atlântica preservada, guarda inúmeras quedas d'água que enchem os olhos dos turistas que frequentemente por lá passam. Vale à pena conhecer, também, o artesanato local.
Para nossa fraternidade é grande a alegria em assumir uma páróquia que tem como padroeiro Santo Antônio. Um homem que viveu intensamente o Evangelho nos passos de Francisco e Clara de Assis.

FRANCISCANOS DE SANTA MARIA DOS ANJOS




FRANCISCANOS DE SANTA MARIA DOS ANJOS
Os Franciscanos de Santa Maria dos Anjos constituem uma Fraternidade, na qual todos os irmãos buscam viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, discernindo os sinais dos tempos e abrindo-se à ação do Espírito Santo, na fidelidade à proposta do Reino, construindo-o em comunhão com a Igreja e com toda a humanidade, seguindo o exemplo de São Francisco e Santa Clara de Assis.

Somos uma Fraternidade de Religiosos, Leigos e Leigas. Temos uma casa como residência dos religiosos e os leigos e as leigas moram em suas próprias casas, participando ativamente na vida da fraternidade: orações, trabalhos e projetos que juntos elaboramos.

Estamos em processo de construção da VILA FRANCISCANA, onde os irmãos e irmãs da Fraternidade, poderão conviver mais próximos, partilhando a vida cotidiana e assumindo juntos os projetos da Fraternidade.

Também temos um local de orações e retiros, para onde vamos ao menos uma vez por semana. É o Eremitério Santa Maria dos Anjos, que fica em uma área de preservação ambiental, muito propícia o silêncio e à contemplação.

Desenvolvemos atividades no campo da espiritualidade e também projetos sociais com crianças, jovens e mulheres, bem como na área da Agroecologia. Nesta área temos o "Projeto Tau" (Trabalhadores Agroecológicos Unidos) que incentiva a produção agrícola sem o uso de venenos e em total sintonia com a preservação ambiental. Por isso, moramos na Zona Rural onde, entre outros, produzimos morangos, tomates e pimentões.

Por que Santa Maria dos Anjos?

Santa Maria dos Anjos, também conhecida como Porciúncula, é o lugar primeiro da espiritualidade franciscana. É ali, naquela pequena igrejinha que Francisco deu início a um movimento que já dura mais de 800 anos.
Um santuário mariano que Francisco não quis abandonar nunca. Ali viveu momentos fortes de sua vida; ali partiu para a vida definitiva. Ali Francisco viveu a intensidade do Evangelho: fraternidade, simplicidade, oração, perdão e missão.
Fraternidade
Em Santa Maria dos Anjos Francisco recebeu os primeiros irmãos, Bernardo e Pedro, e formaram a primeira fraternidade franciscana.
Também ali, recebeu Francisco a jovem Clara e deu início à fraternidade das Clarissas.
Na Porciúncula aconteceram os Capítulos, encontros fraternos dos frades que já se espalharam pelo mundo, como o grande Capítulo das Esteiras de 1221 que reuniu cerca de 5.000 irmãos.
Simplicidade
Francisco e seus primeiros irmãos reconstruíram a pequena igreja abandonada com o trabalho de suas mãos.
Ali construíram pequenas celas onde os irmãos moravam em grande pobreza e minoridade.
Francisco amava aquele lugar porque se recordava de Maria, mãe pobrezinha do Deus feito homem.
Oração
Santa Maria dos Anjos, escondida no meio da mata verde, constituía-se num espaço privilegiado de oração e contemplação.
Ali Francisco escuta do Evangelho o plano que Deus reservava para ele.
Ainda hoje, muitas pessoas acorrem à pequena igreja para aí viverem momentos de profunda mística.
Perdão
Angustiado em meio às suas fragilidades, Francisco implora a Deus o perdão dos seus pecados. E, na Porciúncula, tem uma experiência mística confortadora que lhe dá a certeza de que Deus Misericordioso o perdoava.
Pede ao Papa Honório III que conceda à Igreja de Santa Maria dos Anjos indulgências plenárias; em junho de 1216 o Papa concede o Perdão da Porciúncula que, anualmente, em 02 de agosto, é celebrado como “o perdão de Assis”.
Missão
Francisco, juntamente como Bernardo, Pedro e Egídio, partem da Porciúncula para a missão. Ali retornam periodicamente para avaliar, rezar e fortalecer o espírito para a missão.
Hoje é o ponto de referência para todos os franciscanos e franciscanas espalhados pelo mundo inteiro.

“A igrejinha da Porciúncula conserva e difunde uma mensagem e uma graça muito especiais da experiência do Poverello de Assis; mensagem e graça que perduram até hoje e que constituem uma fonte de apelo espiritual para os que se deixam fascinar por seu exemplo”. João Paulo II

Os FRANCISCANOS DE SANTA MARIA DOS ANJOS desejam manter vivo o espírito daquela primeira comunidade, vivendo no mundo de hoje a fraternidade, a simplicidade, a oração, o perdão e a missão:

- Sonhar com Francisco e Clara a Fraternidade Universal, buscando relações mais fraternas e justas, marcadas pelo cuidado com toda a criação, especialmente com os que mais sofrem.
- Num mundo marcado pelo consumismo e pela sede de poder, ser sinais de simplicidade e minoridade, através da vida de trabalho e partilha com os pobres e marginalizados.
- Reconhecendo o Senhor como razão de suas vidas, os irmãos buscam viver uma intensa relação com o Criador pela vida de oração e contemplação.
- Querem ser instrumentos de reconciliação para o mundo, sendo sinais da paz e do bem, frutos da justiça e da verdade.
- Respondem ao mandato de Jesus de “ir pelo mundo e anunciar o Evangelho”, vivendo como “peregrinos e forasteiros neste mundo”.

VENHA SER UM FRANCISCANO DE SANTA MARIA DOS ANJOS. ENTRE EM CONTATO CONOSCO!

domingo, 19 de dezembro de 2010

DIALOGANDO: CONVERSA ENTRE IRMÃOS E IRMÃS

Nosso blog quer ser um espaço de interação entre os vários irmãos e irmãs que acompanham a nossa fraternidade e que fazem parte, na variedade de maneiras, de nosso projeto de vida. Por isso, inauguramos aqui um espaço onde podemos dar nossa opinião acerca de temas atuais, iluminando-os com nossa espiritualidade franciscana. Deixe um comentário ao assunto que, em breve, ele se tornará uma postagem de nosso blog.

Iniciamos nosso diálogo falando da PAZ. Perplexos diante da violência que assola o Rio de Janeiro, somos questionados acerca de nosso papel na construção de uma Cultura de Paz. Qual nossa contribuição franciscana? Como contribuirmos para que novas relações sejam estabelecidas?



Apresentamos aqui, para iluminar nossa reflexão, um texto do franciscanólogo  José Antônio Merino, extraído de sua obra "Manifesto Franciscano para um Futuro Melhor", publicada pela Editorial Franciscana, Braga, 1986, pág. 58 a 62, entitulado MENSAGEIROS DA PAZ.

Duas irmãs nossas já deram continuidade a nossa reflexão enviando seus artigos:

Cássia Ferreira, de Pitangui, enviou-nos o texto "Arrastão da Paz", apresentando-nos um grande convite para sermos artífices da paz.

Cacilda Ferreira, residente nos EUA, enviou-nos um artigo entitulado "A paz não é uma bandeira branca, é uma alma limpa", no qual ela transcreve, com grande liberdade e pertinência, um entrevista da jornalista norte americana Oprah Winfrede com um monge budista Trick Nahat Hann.

Boa leitura para todos! Dê também sua contribuição, enviando-nos um artigo ou mesmo um breve comentário.


MENSAGEIROS DA PAZ

O Santo italiano, que havia experimentado na sociedade em que viveu as grandes tensões, os frequentes conflitos e as vergonhosas rivalidades entre facções e famílias, quis fazer da sua pessoa e da pessoa de cada um dos companheiros outros tantos "filhos da paz". De tal modo sentiu em si as divisões, as lutas fratricidas, as rivalidades eclesiásticas e civis, que tomou como saudação cotidiana o lema de "Paz e Bem". E de tal modo o tomou a peito que São Boaventura o define como "anjo da verdadeira paz". isto mesmo transmitiu aos seus com tal empenho que, "onde quer que entravam, fosse em cidade, povoação, vila ou casa, anunciavam a paz", segundo narram os Três Companheiros. Deste modo procuravam criar condições para que a paz fosse possível e real. A sua pedagogia de homens pacíficos, mais do que pacifistas, era viverem verdadeiramente a paz consigo mesmos e com o grupo, transmitindo uma serenidade e uma alegria contagiosas e irresistíveis.
O irmão universal não se limitou a levar a paz aos indivíduos, às famílias, aos grupos, às cidades e às instituições; foi à própria raíz do problema social e político. Residia este no fato de o vassalo dever prestar juramento de fidelidade ao senhor feudal, o que supunha, logo à partida, não só trazer armas como andar metido em constantes e inevitáveis contendas entre uns e outros. Tudo isso ele proibiu à fraternidade franciscana secular, minando dessa forma uma das principais bases da sociedade feudal.
A fraternidade franciscana secular era fortemente interclassista, pois nela participavam letrados e leigos, nobres e plebeus, comerciantes e artistas. Esta atitude da nova família teve uma repercussão política social de incalculáveis consequências e isso explica que fosse tal mal vista pelos senhores feudais.
Francisco recorre a todos os meios possíveis para levar a paz onde há tensões e violências. sabido é o caso do conflito entre o bispo e o podestá ("prefeito") de Assis. Francisco, enviando os irmãos, quais novos Orfeus, consegue restabelecer a harmonia e a paz precisamente pelo canto. Em Perusa, Bolonha, Arezzo e Sena, vendo Francisco surgir vários conflitos entre grupos, logo ali se apresenta para pacificar e curar as feridas da desunião, convencido como estava de que a paz é um valor absoluto.
Um caso muito especial e do domínio público é a narrativa do logo de Gubbio. Discutiu-se muito sobre a his´toricidade e significado deste relato. Não interessa agora saber se o lobo, enormíssimo, terrível e feroz, era realmente um animal, um terrorista ou um salteador de caminhos. Interessa tão somente ver na narrativa uma parábola a propósito duma situação a que São Francisco deu uma saída pacífica e reconciliadora.
Na parábola dos Fioretti de São Francisco enfrentam-se duas realidades. De um lado, o lobo selvagem que uiva e abre as enormes fauces para satisfazer as exigências do estômago. (Para um estômago vazio não há razões de direito positivo nem de lei estabelecida, as quais, não poucas vezes, são a justificação e defesa dos direitos do mais forte). Do outro lado estão os habitantes de Gubbio, quais lobos civilizados que desfrutam do estômago satisfeito, mas gesticulam e gritam porque têm sede irreprimível de vingança, de ódio não dissimulado, febre de domínio e ânsia de protagonismo - tudo devidamente encapotado sob o nome de superação humana ou de reinvindicações intermináveis. Dois grupos assim confrontados tornam impossível a vida. Odeiam-se, temem-se, perdem os dois. Apenas logram que a vida se lhes converta num inferno.
Francisco não contemporiza com eles, não lisonjeia nenhum dos lados, antes os desmascara, errados que andam. Ao lobo selvagem endossa-lhe as mortes que faz; ao lobo da cidade verbera-lhes o egoísmo do seu comportamento. Por isso ele pede a conversão de todos. Francisco nunca perde a esperança de ninguém. Onde nós geralmente só vemos negação, maldade, obstinação e erro, descobre ele um fundo de bondade, de positividade, de dignidade, pois até da criatura aparentemente mais degradada se pode esperar a recuperação mais surpreendente. É  que nos mais fundo do ser humano está a capacidade de Deus.
Talvez que o fato de existirem tantos lobos civilizados nas nossas cidades se deva à ausência de verdadeiros homens como Francisco e à falta de lídimas bondades. O temível lobo, ante a bondade de Francisco, transforma-se em irmão lobo, em animal tratável, em companheiro; e a cidade de Gubbio, fechada e receosa, converte-se em cidade aberta, acolhedora e habitável. Para a reconciliação e harmonia dos dois bandos, o santo de Assis recorre unicamente à pedagogia da paz, porque a técnica da resistência violenta é já uma agressão que gera a desunião e o ódio. Francisco não se contenta com a justiça. Há que chegar a ela, sim, mas apenas como ponto de partida, que a justiça o mais que pode oferecer é uma repartição equitativa, mas não a reconciliação dos corações, e esta é que é a condição indispensável para criar a verdadeira fraternidade humana. Por isso se torna necessária a força transformadora do amor.
A paz que o Poverello constrói nesta parábola não se realiza com a submissão de um grupo a outro, mas com a superação de mútuas rivalidades e a renúncia a contrasensos e injustiças. Francisco harmonizou e reconciliou as forças em conflito não em nome do direito natural ou positivo, nem com argumentos metafísicos, políticos, sociais, psicológicos ou económicos, e nem sequer através de pactos e consensos, mas em nome de Deus e de Jesus Cristo e pela mediação dele próprio, o grande reconciliado com todos os seres, a quem nunca havia defraudado.
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DIALOGANDO....



Arrastão da Paz

Cássia Ferreira - Pitangui


Diante dos conflitos de seu tempo São Francisco consegue “restabelecer a paz precisamente pelo seu canto”. Toca os corações dos excluídos com a sintonia de uma suave flauta, que emana um canto de amor, esperança, justiça e paz. Esse cântico contamina a natureza que a seus olhos é vista como dom de Deus. Como aquele canto franciscano: “sou uma parte de uma imensa vida, que generosa reluz em torno a mim, imenso dom do Teu amor sem fim”.

Em nossos tempos os conflitos se espalham como erva daninha sufocando árvores e flores com o exagero de seus galhos, o grande desafio do coração franciscano é conviver com a violência com uma atitude de denúncia, mas ao mesmo tempo com uma postura pacífica, como que a compor o canto que amansa o lobo e abre os corações para as necessidades do mesmo de se alimentar. Que instrumento estamos tocando? A flauta da paz ou os tambores da guerra?

O convite franciscano hoje é para um arrastão pela paz, com um cântico novo participando de forma ativa e dinâmica deste desafio pela paz, através do nosso comprometimento com o Evangelho onde a figura de Jesus acolhe com amor os pobres e sofredores de seu tempo e nos instrui a fazer o mesmo com as vítimas dos conflitos modernos. O desafio é nosso agora, se Francisco, o pobre de Deus, carregava um pedaço de pau como se fosse seu violino e gritava: “o amor não é amado”, hoje a missão é nossa e com os instrumentos que tivermos, lembrando que pela tecnologia, nossos instrumentos são mais ágeis, basta-nos um clip para espalharmos blogs, mensagens e imagens pelo mundo inteiro.

Se Jesus é o único salvador, somos seus colaboradores. E é através de nossas palavras, gestos e atitudes e, sobretudo nosso comprometimento e vivência do Evangelho de amor e paz; é assim que O levaremos aos nossos irmãos. Nossas armas? Orações, leituras, estudos para nos fortalecer e depois, blogs, mensagens, MSN e uma infinitude de meios comunicativos. Que esses meios sejam usados para uma Evangelização sólida e duradoura chegando aonde nossos pés não conseguem ir.

Seguindo as pegadas de São Francisco, conscientes da importância e emergência da missão pacificadora, cabe a nós o início de um diálogo com nossos irmãos de caminhada e pelos caminhos do mundo. Sejamos instrumentos de paz, portadores da justiça e semeadores do amor. Já será um bom começo.

“Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm.8,31)

“Fé na vida, fé no homem, fé no que virá

Nós podemos muito, nós podemos mais,

Vamos lá fazer o que será.”



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DIALOGANDO....



“A Paz não é uma bandeira branca, é uma alma limpa”


Cacilda Ferreira, EUA

Numa época em que se fala tanto em guerra e violência, difícil falar de paz. Mas ela é o sonho dourado de todos nós e o maior desafio também.

O que é a paz? A primeira definição, simplicíssima, que nos vem à mente é que paz é a ausência de guerra. Há quem conceitue a paz como calma e tranquilidade, mas nem sempre está correto dizer isso, pois muitas vezes é necessário uma atitude drástica para se consegui-la. Exemplo disso são os acontecimentos da última semana no Rio de Janeiro, entre a favela da Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão. Uma atitude pacífica às vezes é omissão e contribui para o agravamento da violência e da desordem. Muitas vezes a paz perturba.

Paz não é apenas um sentimento de quietude ou um desejo, é uma atitude de vida, conquistada com muito esforço e oração. Nós mesmos fazemos guerra, na família, na escola, na sociedade, quando não respeitamos a opinião de alguém, querendo ser dono da verdade e da razão.

Em entrevista a Oprah o monge budista Thick Nhat Hanh disse muitas coisas interessantes a respeito da felicidade e da paz. Fiz uma tradução livre e bastante resumida e quero dividir com vocês.

Segundo ele "quando você delicia uma simples xícara de chá, você pode experienciar a sensação de felicidade e de paz. Suponhamos que você está bebendo uma xícara de chá. Segurando a xícara de chá, você respira e sente o aroma, neste momento pode levar a sua mente até o seu corpo, pode se sentir completo e no presente. Quando está inteiro, completo, algo mais está com você - a vida - representada por uma xícara de chá. Naquele momento você é real, e a xícara de chá é real. Você não está no passado ou no futuro, em seus projetos ou nas suas preocupações. Você está livre de todas as suas aflições. E naquele estado de liberdade, você delicia a sua xícara de chá. Este é um momento de felicidade e de paz. Você é real e o chá é real. Você está no presente. Você não pensa no passado, Você não pensa no futuro. Há um encontro real entre você e o seu chá; e a paz, felicidade e alegria são possíveis durante o tempo que você bebe. Esta prática de meditação pode durar uma hora. Cada momento é um momento de felicidade, quando você come, você pode entrar em contato com o cosmos, simplesmente com uma mínima quantidade de comida. Quando você escova os dentes, mesmo que tenha só dois minutos, é possível ter a sensação de viver o momento presente, o aqui e o agora, ter consciência do momento e estar em paz. Isto é possível em todas as situações da vida.

Se respira e tem consciência disso, pode sentir e até tocar o milagre de estar vivo. Felicidade é a cessação do sofrimento. A sensação de bem-estar. Quando pratica o exercício de respirar, a felicidade vem. Inspirando, tem consciência de seus olhos; expirando, sorri para os seus olhos e percebe que pode enxergar bem. Há um paraíso de formas e cores no mundo. Pelo fato de poder ver, você entra em contato com o paraíso. Desse modo, quando tem consciência de seus olhos, toca uma das condições da felicidade. E ela vem.

As pessoas sacrificam o presente pelo futuro. Mas a vida está presente somente no presente. É por isso que você deve caminhar de uma maneira em que cada passo o leve ao aqui e agora.

Ouvir as pessoas com muita atenção pode ajudá-las a aliviar seu sofrimento e isto ajuda-nos a reconhecer a existência de percepções erradas em outras pessoas e em nós. As outras pessoas têm percepções erradas sobre elas mesmas e sobre nós. E nós temos percepções erradas sobre nós mesmos e sobre as outras pessoas. Esta é a base da violência, dos conflitos e da guerra. Os dois lados estão motivados pelo medo, pela raiva e pela percepção errada que temos. As percepções erradas não podem ser removidas por armas e bombas, mas por um profundo entendimento, compaixão e amor. Esta é a única maneira de afastar o terrorismo.

A raiva é uma energia que motiva as pessoas a agirem. Mas ela tira a lucidez e desencadeia ações erradas. A compaixão é uma energia melhor e muito forte.

Se estamos sofrendo, o melhor é abraçar a dor (ou seja, o medo, a ansiedade, a desesperança) e segurar a emoção, vencer o medo, até termos sabedoria suficiente, conduzir a energia para contornar o problema e não deixar que a ansiedade vença, é aí que entra a prática de concentrar-se no momento presente, entender as nossas raízes. A natureza de nossos sofrimentos e encontrar uma maneira de transformá-los. Se nós temos medo e desesperança em nós, não podemos remover estes sentimentos na sociedade.

Somos humanos e, portanto, temos sementes do bem e do mal. Nós só podemos reconhecer nossa felicidade em oposição ao nosso sofrimento. Se não conhecemos a guerra, não reconhecemos o valor da paz. Então, olhando profundamente os nossos sofrimentos é que encontramos o caminho da felicidade e da paz. A energia coletiva ajuda muito. Ser amado significa ser reconhecido como um ser existente. Quando amamos alguém, a melhor coisa que podemos oferecer é a nossa presença, mesmo que seja por telefone. É dizer: querido, eu estou aqui para você. Eu sei que você está sofrendo, mas eu estou aqui. Antes de fazer alguma coisa para ajudar, a sua presença já traz algum alívio. Pode acontecer de esse sofrimento ter sido causado pela pessoa que você ama e isso aumenta mais ainda a sua dor. É quando você deve procurar a pessoa que o feriu e dizer a ela que o sofrimento vem da percepção errada que vocês tem, e dizer que você quer transformá-la e por fim, pedir a ajuda da pessoa. Isto vai mostrar a confiança que você tem nela e a verdade. O sofrimento será “reduzido imediatamente.”

Podemos, então, concluir que na busca da paz é preciso viver o momento presente com liberdade, valorizando todos os milagres que acontecem a cada momento, a começar pelo simples ato de respirar; depois que nos concentrarmos no momento presente e na profundidade deste milagre, nós só temos que respirar e entrar no Reino de Deus. É preciso sentir a conexão com o criador, com o cosmos e com as outras pessoas, através de um diálogo sincero, onde compartilhamos sofrimentos e alegrias. A humildade, o amor, a gentileza tem que estar presentes também. E muitas outras coisas simples como saber ouvir, saber entender os outros e respeitar as diferenças individuais. A paz é possível, e esta prática é simples o suficiente para ser alcançada por todos.




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Qual a contribuição que nós, franciscanos e franciscanas, podemos dar para que surja um tempo novo de
Paz e Bem?


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nossa Fraternidade na Romaria Nacional da Juventude

No dia 13 de novembro aconteceu, em Aparecida, a Segunda Romaria Nacional da Juventude. Frei Gabriel, Saulo e Lucimar estiveram presentes, juntamente com um grupo de jovens de Rosário da Limeira. Missa na Basílica, Palestra e show com a Banda Rosa de Saron deram vida ao encontro que reuniu cerca de dezesseis mil jovens na casa de Nossa Senhora Aparecida. Óh, Mãe Aparecida, rogai pela juventude do Brasil!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Aniversário de Rodrigo Daniel

Nossa fraternidade esteve reunida, no dia 10, em Belo Horizonte para comemorar o aniversário de Rodrigo Daniel.
Celebramos a Eucaristia, juntamente com familiares e amigos de nosso irmão, numa grande ação de graças pelo dom de sua vida. Após a celebração eucarística realizamos um animado e saboroso churrasco e compartilhamos com Rodrigo a sua alegria de ver mais uma vitória do seu Palmeiras. Parabéns irmão!

sábado, 23 de outubro de 2010

Encontro de Serviço Social em Ouro Preto

No final de semana, 23 e 24 de outubro, Rodrigo Daniel participa do 1º Encontro Local de Estudantes de Serviço Social (Eless) promovido pelo Diretório Acadêmico de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto.
Realizado no Salão Nobre da Escola de Farmácia, por meio de mesas redondas, minicursos e lançamento de livros, o Encontro aborda como tema “Os limites e possibilidades do Projeto Ético-Político do Serviço Social na Ordem do Capital”.